Ansiedade: a visitante chata – aprendendo a lidar com ela

Bom, já vimos no texto anterior que a ansiedade não é nossa inimiga, certo?! Porém saber apenas disso não torna nossa relação com a ansiedade mais fácil. Então o que fazer com essa visitante inesperada que não podemos eliminar, e que fica cada vez mais forte quando lutamos contra ela?

O primeiro passo para aprender a lidar com a ansiedade é reconhecer e aceitar que ela não é perigosa para nossa vida, ela não existe para nos atrapalhar e nem para nos destruir. Ela existe para nos ajudar a perceber perigo e nos proteger de situações e eventos ameaçadores. Então não deveríamos “lutar contra ela”.

O segundo passo é compreender que, se a ansiedade surge como uma resposta à interpretação que fazemos do ambiente e das situações, talvez estejamos precisamos modificar e reavaliar a forma como assimilamos as coisas a nossa volta. Será que as situações que desencadeiam em nós sintomas patológicos de ansiedade são de fato uma ameaça REAL a nossa vida e a nossa integridade?! Existe alguma possibilidade de estarmos superestimando o resultado mais temido?

Vários estudos já comprovaram que quando estamos ansiosos, ficamos concentrados de forma demasiada no perigo e na ameaça, ou seja, temos forte tendência para superestimar um possível resultado negativo tendendo a catastrofizá-lo (fazer a famosa “tempestade num copo d’água”), potencializando o medo e, consequentemente, os sintomas físicos da ansiedade.

O modo como pensamos/interpretamos (nossas cognições) determina se numa dada situação a ansiedade diminui com o tempo ou se ela persiste até um estado de completo desconforto. Quando estamos ansiosos, tendemos a superestimar a gravidade e a probabilidade de acontecer aquilo de que temos mais medo. Portanto, identificar e corrigir esse tipo de interpretação/pensamento é uma importante estratégia das terapias cognitivas.

Se você sofre de ansiedade patológica, é muito provável que você tenha bastante dificuldade para identificar sozinho as interpretações distorcidas que faz da realidade, pois o pensamento catastrófico acontece de forma muito automática quando estamos ansiosos, provocando os tão temidos sintomas de ansiedade e levando ao colapso da crise.

Mas como já vimos que a ansiedade não é nossa inimiga, então nosso trabalho principal não é combatê-la mas sim aprender a lidar com ela de modo que ela apareça apenas quando for realmente necessário e na intensidade adequada para a situação em questão. E é pra nos ajudar nesse exercício de regulação emocional que existe a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) .

Essa terapia tem como foco principal tornar nossa forma de interpretar a realidade mais adequada, realista e menos distorcida, tendo como resultado a melhora emocional e comportamentos mais assertivos frente às situações da vida cotidiana.

A ansiedade não é sua inimiga, apesar de ser um visitante chato. Não precisamos nos proteger dela; o que precisamos mesmo é aprender a conviver e a lidar com ela.

Vamos juntos?!

Leia também: A ansiedade não é sua inimiga: clique aqui.

Fonte:

BECK, A. T., CLARK, D.A. Vencendo a ansiedade e a preocupação com a terapia cognitivo comportamental: manual do paciente. Artmed, 2012.

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